segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Lançamento do Livro "Vanessa Alves, coletânea de imagens e palavras".



Não é de agora que o cinema da Boca paulista vêm atraindo a atenção de cinéfilos e estudiosos de cinema. Ainda carecendo de maior atenção nos meios acadêmicos - ainda são poucos os que se dedicaram ao tema, em proporção desigual à importância e abrangência daquela produção - é relevante ver que de alguns anos para cá diversas publicações vem resgatando a memória de um cinema feito na marra, sem as benesses do poder público. E não é só pelas mãos de uma nova geração de apaixonados por cinema e pesquisadores que isso vem ocorrendo, como os obrigatórios “O Coringa do Cinema” (Giostri, 2013), de Matheus Trunk; “Dossiê Boca” (2014), do mesmo autor e editora; “José Adalto Cardoso: uma vida em fotogramas” (Laços, 2015), de Alexandre Aldo Neto. Mas também pelas mãos dos próprios protagonistas daquelas histórias, como é o caso de “A Boca de São Paulo” (2015), memórias da atriz Nicole Puzzi e “Um Banho de América” (2015), da musa Zaira Bueno - ambos pela Editora Laços, recém lançados.
Dentro dessa bem vinda produção, chega no dia 14 de setembro (com lançamento no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo às 18 horas) o livro “Vanessa Alves, coletânea de imagens e palavras”. Organizado por Rafael Spaca, radialista e editor-fundador do blog Os Curtos Filmes, que lançou neste ano o ótimo “Conversações com R.F. Lucchetti” (Editora Verve), resenhado em minha última postagem. Esta nova iniciativa, como o próprio título indica, refaz a trajetória de Vanessa Alves, ilustrada por diversas fotos raras do acervo pessoal da atriz.
Sem dúvida uma das mais belas atrizes do cinema paulista, Vanessa despontou em A Filha de Emmanuele (1980), de Osvaldo de Oliveira, e foi presença constante nas telas até o início dos anos 2000, fechando esse ciclo participando de Garotas do ABC (2003), do inesquecível Carlos Reichenbach. 
O livro é dividido em duas partes. Na primeira, é a própria Vanessa que conta a sua história destacando os acontecimentos mais significativos de sua vida. Através dessa narrativa pessoal, entremeada por confidências, ela nos fala de forma bem descontraída de sua infância, família, o começo da carreira artística ainda criança na televisão e iniciação amorosa. 
Destaco suas recordações do período em que atuou no cinema da Boca, local onde, segundo a própria Vanessa, “cresceu pessoal e profissionalmente”. E em especial, chamo a atenção para as lembranças de sua parceria com Carlos Reichenbach em cinco filmes: O Paraíso Proibido (1981), Extremos do Prazer (1983), Filme Demência (1985), Anjos do Arrabalde (1986), que rendeu à atriz o Kikito de melhor atriz coadjuvante e o citado Garotas do ABC. É de Carlão, que considerava a atriz sua “cúmplice de vários filmes”, um dos textos incluídos no livro. 
Ainda nessa primeira parte Vanessa fala de sua investida na música, o trabalho no teatro, na televisão e na dublagem, atividade que exerce atualmente, além de comentar vários títulos de sua filmografia.
Na segunda parte do livro, os filmes em que Vanessa Alves são analisados por um time de convidados, de que me orgulho em fazer parte, tendo sido contemplado pelo organizador Rafael Spaca com a oportunidade de falar sobre Os bons tempos voltaram: vamos gozar outra vez (1984) . 


Abaixo, reproduzo o release do livro:

Vanessa Alves se tornou nacionalmente conhecida graças aos filmes que estrelou na Boca do Lixo, foram inúmeras pornochanchadas. Lá, virou uma referência, umas das grandes estrelas do período, conquistou fãs ardorosos e ganhou o epíteto de musa. A atriz virou símbolo sexual, uma das mulheres mais lindas e desejadas do país, posou nua para diversas revistas masculinas, estampou capas de jornais. 
A dimensão do seu trabalho e de sua beleza poderá ser constada no livro “Vanessa Alves, coletânea de imagens e palavras” (com organização de Rafael Spaca e editado pela Editora Laços). A atriz compartilha sua memória com os fãs, conta passagens de sua vida pessoal e profissional. Rememora seus filmes, os trabalhos no teatro, televisão e dublagem. 
Vanessa Alves se reinventou e hoje é uma das profissionais mais requisitadas na dublagem, tornando-se também diretora nesta área.
O cineasta Carlos Reinchenbach, com quem Vanessa Alves trabalhou em vários filmes, a chamava de “atriz-cúmplice”. Carlão gostava muito de trabalhar com Vanessa.
O livro, conta com fotos e documentos raros do acervo da própria atriz e traz um time de peso que analisa seu trabalho e seus filmes: Alessandro Gamo; Andrea Ormond; Antônio Leão; Aristides Oliveira; Christian Petermann; Daniel Camargo, David Cardoso; Diniz Gonçalves Júnior; Dimas Tadeu Schitini; Du Aguiar; Elizeu Ewald; Fábio Vellozo; Felipe Kowalczuk; Felipe M. Guerra; Felipe Martinelli; Flávio Guarnieri; Gabriel Carneiro; Gio Mendes; Guilherme Solari; José Adalto Cardoso; José Edward Janczukowicz; José Parisi; Jotta Santana; Laura Loguercio Cánepa; Leandro César Caraça; Lúcio Reis; Luiz Biajoni; Mara Vanessa Torres; Marcelo Mendez; Marco A. S. Freitas; Matheus Trunk; Monique Lafond; Nathália Lorda; Roberto Cosulich; Sara Silveira; Valter Júnior e; William Pereira. Estes notáveis pesquisadores e críticos ajudaram a reavaliar seu trabalho no cinema, alçando Vanessa Alves ao posto de uma das maiores atrizes brasileiras de todos os tempos.
“Vanessa Alves, coletânea de imagens e palavras” oferecerá aos leitores um amplo panorama dos bastidores cinematográficos, especialmente os da Boca do Lixo. Conhecer a história de Vanessa Alves é conhecer a história do significado de ser atriz.


Lançamento “Vanessa Alves: Coletânea de Imagens e Palavras”
14 de setembro, segunda-feira, a partir das 18 horas
Centro Universitário Belas Artes (Auditório Raphael Galvez Dazzani)
Rua Dr. Álvaro Alvim, Vila Mariana, São Paulo (próximo à estação de metrô)