domingo, 4 de outubro de 2009

A Casa da Noite Eterna (1973).


Em 1971, o consagrado escritor Richard Matheson escreveu uma das melhores histórias sobre casas mal assombradas já publicadas: Hell House (que finalmente, após quase quarenta anos ganha edição brasileira – Hell House – A Casa Infernal, Ed. Novo Século, 2009). Obra que pode ser colocada ao lado das também atmosféricas e assustadoras A Volta do Parafuso, de Henry James e A Maldição da Casa da Colina, de Shirley Jackson. Não por coincidência, os três livros ganharam adaptações cinematográficas que, se não estão à altura do material impresso, também não fazem feio, podendo ser consideradas produções clássicas do horror. Tanto o livro de James quanto o de Jackson ganharam mais de uma versão para as telas, sendo as mais memoráveis, respectivamente, Os Inocentes (The Innocents, 1961), de Jack Clayton e Desafio do Além (The Haunting, 1963), de Robert Wise (esqueça o vergonhoso filme de Jan de Bont cometido em 1999). Hell House foi adaptado pouco depois de sua publicação, em 1973, com o título The Legend of Hell House (aqui no Brasil A Casa da Noite Eterna).
A leitura do original de Matheson era um desejo acalentado há bastante tempo, tanto que adquiri em um sebo virtual uma desgastada edição em espanhol, abandonada definitivamente pelo surpreendente lançamento da Novo Século., já devidamente devorado. O que me levou a recorrer á minha coleção de VHS e rever A Casa da Noite Eterna, dirigida por John Hough. O filme, ainda que competente – com roteiro do autor do livro – e bom elenco, sinto observar, envelheceu. E acaba servindo como um resumo bastante atenuado da narrativa original, sobre um milionário moribundo que contrata um parapsicólogo, o Dr. Barrett, para desvendar se existe ou não vida após a morte. E o local escolhido seria a mansão Belasco, conhecida como a casa infernal e o “Monte Everest” das casas assombradas. Ele teria o prazo de uma semana, acompanhado de sua mulher Edith e dos médiuns Florence Tanner e Benjamin Franklin – este o único sobrevivente de uma tentativa anterior de desvendar os mistérios da mal afamada propriedade. Nos poucos dias em que ficam confinados, são confrontados por forças sobrenaturais, deflagradas pelo maléfico espírito do antigo proprietário, um sádico violento, e por seus próprios tormentos. Estes últimos bastante atenuados no filme. Certamente porque em 1973 (e possivelmente ainda hoje, em se tratando de produções dos grandes estúdios)não seria viável reproduzir a forte carga sexual do romance de Matheson. O que é uma pena, já que Pamela Franklin está deliciosa como a médium Tanner (ela aparece rapidamente nua, de perfil) e Gayle Hunnicut incorpora bem a frustrada mulher do parapsicólogo. Dois personagens que tem sua complexidade psicológica reduzida. Clive Revill interpreta com dignidade o cientista, do qual também foi retirada a significativa deficiência física (no livro ele mancava como seqüela da poliomielite); e o emblemático Roddy McDowall empresta sua simpática canastrice ao contido Ben Franklin.
A Casa da Noite Eterna, apesar de datado, merece ser evisto. Ainda dá para sentir uma certa apreensão – sem recorrer para os sustos gratuitos ou efeitos cgi das produções atuais -, permitindo um rápido olhar de vez em quando pelo canto do olho para as sombras do quarto escuro. O inevitável apelo das histórias de fantasmas, que refletem nossa expectativa sobre o que vem depois. Mas aconselho a leitura do livro primeiro.
Aproveito para avisar que na próxima semana não farei postagens, pois estarei no congresso da Socine em São Paulo. Informações no link abaixo:

Um comentário:

Jose Silva disse...

O livro é péssimo, cheio de falhas, por exemplo: os personagens se livram dos corpos inexplicavelmente, sem polícia sem nada. O final constrangedoramente ridículo. O filme é um resumo do livro muito mal dirigido. Chato. Fujam!!!