sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Witchboard (1986), de Kevin Tenney


Se você é daqueles que gostam de brincar com “coisas do outro mundo” e é afeito à famosa “brincadeira do copo” ou atividades semelhantes, evite a qualquer custo a produção de 1986 Witchboard. Escrito e dirigido pelo diretor independente Kevin Tenney em sua primeira investida visando o grande público, o modesto filme de horror acabou tornando-se cult entre os apreciadores de produções baratas. Tenney parte da premissa básica (e recorrente no gênero) de que mexer com as almas dos mortos pode ser muito perigoso, através da história de um jovem casal atormentado por um espírito das trevas. Linda (Tawny Kitaen – mais lembrada pelada no sexploitation Gwendoline/1984 e como a mulher de Hécules nos longas que originaram a série de tv com Kevin Sorbo) fica com uma tábua Ouija esquecida em sua casa pelo ex-namorado Brandon (Stephen Nichols) após uma festa, ocasião em que presenciara as comunicações deste com a alma de uma criança, David. Sozinha e entediada, Linda tenta entrar em contato com o menino falecido, não só atraindo para si uma obsessão espiritual como também desencadeando uma série de tragédias envolvendo seu marido Jim (Todd Allen) – francamente hostilizado pelo espírito por seu ceticismo. Dentre as fatalidades, destaque para a morte da médium Zarabeth (a ótima Kathleen Wilhoite, em impagável caracterização dos anos 80), empalada após ataque espiritual. Por fim, Jim e Brandon são obrigados a deixar suas diferenças de lado para enfrentar a entidade que colocava em risco a mulher que amavam e suas próprias vidas (segundo o autor J.K.Muir, o filme deixa no ar uma certa ambigüidade na relação entre os dois ex-amigos, dando uma implícita atmosfera homossexual).
Apesar da precariedade da produção, diálogos pouco inspirados e atuações abaixo da média, Witchboard consegue cativar e prender a atenção, sendo sua simplicidade o charme que provavelmente contribuiu para ser lembrado. O roteiro, ainda que óbvio e simplista em quase sua totalidade, mostra-se bem resolvido em algumas sequências, principalmente quando se percebe que o obsessor não era o menino, mas na verdade um outro espectro, bem mais poderoso, chamado Malfeitor (J.P. Luebsen). Um serial killer que matava suas vítimas a machadadas enquanto vivo e tinha como objetivo a possessão de Linda utilizando a tábua Ouija como portal.
Kevin Tenney deixaria sua marca no cinema de horror em mais um punhado de produções, dentre as quais A Noite dos Demônios (Night of the Demons/1988), Witchtrap, a Noite das Bruxarias (Witchtrap/1989) e Witchboard 2: Entrada para o Inferno (Witchboard 2: The Devil’s Doorway/1993), em breve revistos e comentados por aqui.

2 comentários:

Andre disse...

Um dos melhores filmes de terror da minha coleção. Só não encontrei a legenda, ainda.

O fato de ser um filme de baixo orçamento não comprometeu em nada o desenrolar da estória. É bem assustadorora e não foi copiada como acontece muitos nos filmes de terror atuais. Dou um grande viva aos filmes da década de 80. Bem mais interessantes do que o que tem sido produzido de uns 18 anos pra cá.

Lucio Reis disse...

Oi, Rodrigo. Obrigado pelo comentário e desculpe a demora na resposta. Estive fora de férias e só agora retomando as atividades no blog. Com certeza o que foi produzido nos anos 8o é muito mais interessante, inclusive lançando bases para o que se faz agora. É minha proposta resgatar essas pérolas. Continue acompanhado meu trabalho e um abraço.