quinta-feira, 14 de julho de 2011


Retomando aos poucos as atividades do blog, paralisadas desde o final de maio, pensei em fazer alguns comentários sobre uma série de TV que tem atraído minha atenção. Não que Ghost Hunters (atração do canal SyFy) seja algo inusitado em termos de idéia, ou mesmo um diferencial em termos narrativos. Mas por se vincular de tal modo ao nosso imaginário sobre o que esperamos encontrar (ou esperamos que nossos entes queridos encontrem) do outro lado da mítica fronteira que separa os vivos dos mortos. Ainda que não esteja sozinho na linha de programas de teor documental-sobrenatural (como Assombrações, Portas para o Além, etc.), deixa de lado a forma clássica de narrador em voz over e reencenações tão recorrente para investir no formato reality show em voga. O jogo é construído de forma participativa, com a equipe se inserindo na trama ao protagonizar as investigações da semana, compartilhando com o espectador através de uma atuação convincente a experiência – vendida como factual – deixando pequenos ganchos de suspense que vão ser revelados no bloco final. Sem ser o primeiro nessa senda, Ghost Hunters se esmera como mockumentary, atingindo não apenas o crédulo, que se empolga com a parafernália tecnológica dos caça-fantasmas (espectrômetros, câmeras infravermelhas, etc.), mas também o aficionado por filmes de horror, que vão notar semelhança com as tramas não só de produções clássicas do gênero como Desafio do Além /(The Haunting, 1963) e A Casa da Noite Eterna / The Legend of Hell House, 1973), mas de títulos mais recentes como A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project / 1999). Devemos levar em conta que, se em alguns episódios eles sensatamente revelam não encontrar nada sobrenatural dando uma explicação banal para o fenômeno, na grande maioria colhem evidências que seriam incontestáveis sinais (alguns realmente difíceis de engolir) de que algo permanece após a morte. Sem os quais o programa dificilmente continuaria no ar após sete temporadas e um spin-off (Ghost Hunters International, que percorre o mundo atrás de fantasmas e já esteve no Brasil).Ghost Hunters surgiu em 2004, herdeiro de um programa predecessor produzido pelo Discovery Channel (Ghosthunters), para levar ao ar as investigações paranormais da TAPS (The Atlantic Paranormal Society) fundada pela dupla Jason Hawes e Grant Wilson, encanadores da Roto Rooter que se deram bem em seu empreendimento “paralelo”. Picaretagem ou não (há quem acredite), o fato é que dificilmente nos entediamos com as aventuras do grupo, mesmo não tendo uma nerd tão charmosa como a Velma do Scooby Doo. Ainda que a repetição da fórmula já dê sinais de desgaste, algumas vezes me surpreendo com a escolha dos temas. Destaco a ousada abordagem de um tema ainda pouco palatável: os assassinatos da atriz Sharon Tate e convidados pela “família” Manson em 1969. No programa que foi ao ar originalmente em julho de 2007, na terceira temporada (Os Assassinatos na Mansão / Manson Murders) Hawes e Wilson são chamados pelo proprietário de uma casa vizinha ao terreno onde se deu o massacre, crente de que está sendo assombrado pelas vítimas dos crimes. Atmosférico, tem seu clímax quando um dos espíritos afirma ser Jay Seybring, cabeleireiro de celebridades amigo da jovem esposa de Roman Polanski.

Confira o episódio abaixo e até breve, lembrando que as postagens regulares retornam somente em AGOSTO!

Link para o site do TAPS:

http://www.the-atlantic-paranormal-society.com/

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